Sigo a filosofia de Lavoisier: "Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma."
quarta-feira, 24 de dezembro de 2014
DESordem e REgresso
Toda vez que pego trem ou metrô, a primeira imagem que me vem à cabeça é a BANDEIRA NACIONAL. Muita gente tem dificuldade de interpretar os seus dizeres. Mas não se preocupe, eu ajudo (até DESENHO, se necessário): SEM ORDEM, NÃO HÁ PROGRESSO !!!
Esse post de hoje é direcionado a:
- VOCÊ, usuário de trem e metrô;
- VOCÊ, que mesmo vendo o vagão lotado/entupido quer porque quer entrar de qualquer jeito, não importando se machucará ou não crianças, idosos ou passageiros em geral (custa esperar pelo próximo ?? EU, cansado ou NÃO, faço isso);
- VOCÊ, que pratica "boiada" e sai como um desesperado (um bando de bois quando abre a porteira) para entrar no vagão (saiba que VOCÊ protagoniza uma cena PATÉTICA);
- VOCÊ, principalmente, que mesmo vendo o vagão/carro vazio, PARA igual a um "dois de paus" no meio da porta (e ainda xinga/briga se alguém ousar dizer algo). Será que em nenhum momento passa pela cabeça que isso atrapalha o fluxo de entrada e saída??;
- VOCÊ, que adora reclamar do Governo, mas não faz absolutamente NADA para amenizar a situação, ou seja, NÃO faz a SUA parte.
Enfim, NÃO adianta apenas reclamar do Governo e clamar por mudanças/soluções. É necessário, e tão importante quanto, uma mudança URGENTE de mentalidade/cultura/postura/comportamento da população.
quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014
12 Páginas de uma Revista Francesa (France Football) que resumem o Brasil em todos os sentidos
IMPOSSÍVEL LER ISSO E NÃO SENTIR VERGONHA...
- Apesar do lema brasileiro: “Ordem e Progresso”, o que menos se vê na preparação deste mundial, é Ordem ou Progresso.
- A FIFA não pediu o Brasil para sediar a Copa, foi o Brasil que procurou a FIFA e fez a proposta.
- A corrupção no Brasil é endêmica, do povo ao governo.
- A burocracia é cultural, tudo precisa ser carimbado, gerando milhões para os Cartórios.
- Tudo se desenvolve a base de propinas.
- Todo o alto escalão do governo Lula está preso por corrupção, mas os artistas e grande parte da população acham que eles são honestos, e fazem campanhas para recolher dinheiro para eles.
- Hoje, tudo que acontece de errado no Brasil, a culpa é da FIFA, antes era dos EUA, já foi de Portugal, o brasileiro não tem culpa de nada.
- O Brasileiro dá mais importância ao futebol do que à política.
- O Brasileiro elege jogadores de futebol para cargos públicos.
- Romário (ex-Barcelona) é hoje deputado. Aproveita o descontentamento com a Copa para se auto-promover, mas nunca apresentou um projeto de lei sobre saúde ou educação. Sua meta é dar ingresso da Copa para pobre(como se essa fosse a prioridade para um pobre brasileiro)
DISCORDO DESSA PARTE. ROMÁRIO É UM DOS DEPUTADOS MAIS ATUANTES EM BRASÍLIA, APRESENTANDO BONS PROJETOS E BOAS PROPOSTAS. DEVERIA INFORMAR-SE MELHOR
http://www.abc.org.br/article.php3?id_article=2638
http://congressoemfoco.uol.com.br/noticias/romario-100-de-presenca-e-vitoria-em-plenario/
http://www.folhapolitica.org/2013/12/projeto-de-romario-sugere-que-jovens.html
http://veja.abril.com.br/blog/ricardo-setti/politica-cia/o-deputado-romario-da-mais-uma-dentro-ao-denunciar-a-espantosa-maracutaia-tramada-entre-o-governo-e-a-cbf-um-calote-de-3-bilhoes-em-todos-nos-contribuintes/
http://www.cartacapital.com.br/enquetes/o-deputado-federal-romario-psb-rj-apresentou-um-projeto-de-lei-para-punir-de-forma-mais-dura-quem-divulga-fotos-e-videos-intimos-sem-autorizacao-hoje-nao-ha-legislacao-especifica-sobre-o-tema-em-sua-opiniao
- O Deputado mais votado do Brasil é um palhaço analfabeto e banguela, que faz uma dança ridícula, com roupas igualmente ridículas, e seu bordão é: “pior que está não fica”. Será?
- Em uma das músicas deste palhaço analfabeto ele diz: “Ele é ladrão mas é meu amigo!”, Isso traduz bem o espírito do Brasileiro. ( http://letras.mus.br/tiririca/176533/ )
- Brasileiros se identificam com analfabetos.
AS GENERALIZAÇÕES SÃO A MAIOR DEMONSTRAÇÃO DE IGNORÂNCIA HUMANA
- A carga tributária do Brasil é altíssima maior que a da França, e os serviços públicos são péssimos comparáveis aos do Congo.
- Mas o Brasileiro médio pensa que ele mora na Suíça. Quem está lá, na verdade, é a FIFA.
- Há um dito popular que diz que “Deus é brasileiro”.
- A FIFA, como imagem institucional, busca não associar-se a ditaduras. Tanto que excluiu a África do Sul na época do Aparthaid e, ao contrário do COI, recusou a candidatura da China, apesar das ótimas condições que o país oferecia. Mas o Brasil, sede da Copa, vive um caso de amor com ditaduras.
- O Brasil pleiteava uma cadeira no Conselho de Segurança da ONU, para sentar-se ao lado França, mas devido ao seu alinhamento com ditaduras, a França já se manifestou contrariamente.
- A Presidente Brasileira parece estar alienada da realidade e diz que será o melhor mundial de todos os tempos, isso, melhor que o do Japão, dos EUA, da França, da Alemanha.http://www.youtube.com/watch?v=urmR5fXMJu8
- Só ela pensa assim, na FIFA se fala em maior erro estratégico da história da Instituição.
CONFRONTOS:
- Ano passado os brasileiros saíram as ruas para manifestar, pela primeira vez se viu um movimento assim num país acostumado a inércia, mas o Governo disse que eles eram baderneiros e reprimiu o movimento com violência. 2 mortos, mais de 2000 feridos, mais de 2000 prisões. Ninguém responsabilizado...
- Há um movimento chamado “Black Blocs” que ameaça revidar a violência do Governo.
- Há um # hastag que já foi repetido mais de 500.000.000 de vezes em redes sociais e ameaça #naovaitercopa
- Os próprios brasileiros pedem para os estrangeiros não irem para o Brasil. Há milhares de vídeos feitos por brasileiros neste sentido : http://www.youtube.com/watch?v=0A-mFVEE7Ng
- O governo brasileiro acaba de gastar 400milhões de Euros com compras de armas para a polícia e disse estar disposto a colocar o exército na rua para proteger a Copa contra os…. Brasileiros (???) Isso mesmo, o governo está ameaçando seu próprio povo.
- Há um movimento de alguns jogadores de futebol, liderado pelo ídolo do Lyon (França) Juninho Pernambucano, chamado “Bom Senso”, pedindo conscientização dos jogadores.
NOVAMENTE MAL INFORMADO. O BOM SENSO FUTEBOL CLUBE POSSUI VÁRIOS LÍDERES, JUNINHO É APENAS UM DELES. A REPRESENTATIVIDADE FICA POR CONTA DO ZAGUEIRO PAULO ANDRÉ, DO CORINTHIANS.
AS PRINCIPAIS REIVINDICAÇÕES DO BOM SENSO SÃO MUDANÇAS SIGNIFICATIVAS NO CALENDÁRIO DO FUTEBOL BRASILEIRO, A ADOÇÃO DO "FAIR PLAY" FINANCEIRO (OU SEJA, PUNIÇÃO PARA CLUBES DEVEDORES) E MELHORES CONDIÇÕES PARA OS TORCEDORES IREM AOS ESTÁDIOS - TODAS ESTÃO EXPLICADAS DETALHADAMENTE NO SITE www.bomsensofc.org/
- Analisando os países sedes desde 1970, o número de mortes em estádios, nos 16 anos prévios a cada edição da Copa:
México: (1970): 06 mortes;
Alemanha (1974): 00 mortes;
Argentina (1978): 04 mortes;
Espanha (1982): 00 mortes;
México (1986): 12 mortes;
Itália (1990): 00 mortes;
EUA (1994): 00 mortes;
França (1998): 00 mortes;
Japão (2002): 00 mortes;
Coreia do Sul (2002): 00 mortes;
Alemanha: (2006): 00 mortes;
Africa do Sul: (2010): 17 mortes;
Brasil: (2014): 234 mortes;
- http://www.youtube.com/watch?v=8bn17OLPyOY
OBRAS:
- O Brasil foi o país que teve mais tempo na história de todos os mundiais para prepará-lo: 7 anos, mas o Brasil é o mais atrasado.
- O Francês Jérome Valcke, secretário geral da FIFA criticou o Brasil pelos atrasos. O governo brasileiro disse que não conversaria mais com Jérome Valcke.
- A França teve apenas 3 anos, e finalizou as obras 1 ano e 2 meses antes.
- A África do Sul teve 5 anos, e terminou com 5 meses de antecedência.
- Há pouco mais de 3 meses da Copa, o Brasil ainda tem que fazer 15% do previsto.
- O custo do “Stade de France” foi de 280 milhões de Euros(o mais caro da França), uma vergonha se comparado ao “Olimpiastadium” sede da final da Copa da Alemanha em 2006, que consumiu menos de 140 milhões de Euros.
- Mas perto do Brasil isso não é nada. Cada estádio custa em média mais de 1/2 bilhão de Euros.
- E o dinheiro sai do bolso do Brasileiro. Tudo é financiado com recursos públicos. Na França tudo foi financiado com recursos privados.
- Mas o custo não é alto porque os trabalhadores recebem muito. Os trabalhadores recebem salários de fome.
- As empreiteiras é que ganham muito e há muita corrupção para os políticos.
- Não há segurança para os trabalhadores, acidentes e mortes são comuns. Na França o número de mortes nas construções foi 0(zero)
- Mesmo com os milhões a mais, os Estádios são ruins.
- Em 2007 o Brasil construiu um estádio para o Panamericano do Rio e homenageou quem???? Um diretor da FIFA, um brasileiro, corrupto para variar: João Havelange! No Brasil corruptos recebem homenagens.
- O estádio era tão ruim que não durou nem 6 anos. Isso mesmo, 6 anos….
- Hoje o estádio está interditado e não recebe mais jogos. Detalhe: custou mais de 150 milhões de Euros(mais do que o Estádio do Olympic de Marseille), e hoje serve de ninho para pombos.
- Na França, os Estádios são multi-uso, servem para competições olímpicas, jogos de Rugby, e são centro de lazer, com lojas e restaurantes e estacionamento nos outros dias da semana. No Brasil são usados só para jogos.
- Em Brasília estão construindo um Estádio para 68.000 pessoas, sendo que o time local está na quarta divisão do campeonato brasileiro e tem média de público de 600 pagantes. Tudo com financiamento público.
- Em São Paulo há 2 estádios, Morumbi e Pacaembú, ao invés de reformá-los, construíram um 3o. estádio, Itaquerão, 23km do centro da cidade e sem metrô até lá.
- O ex-presidente Lula, torcedor do Corinthians, empenhou-se pessoalmente para que construíssem este estádio em vez de reformar um dos outros 2 já existentes.
- Exceto seus correligionários, ninguém acredita que Lula foi movido por amor ao “Timão” .
- Lula é amigo íntimo de Marcelo Bahia, Diretor da Odebrecht, vencedora da licitação. Um reforma custaria menos de 100 milhões de Euros, um novo estádio tinha previsão de custo inicial de 300 milhões de Euros (mas já passou de 500 milhões) um dos mais caros da história da humanidade. Lula e Marcelo são constantemente vistos em caríssimos restaurantes de Paris, tomando bons vinhos franceses. Lula, claro, se declara socialista.
- Este estádio é igualmente ruim, alagamento, péssima infraestrutura, e antes mesmo de inaugurar já caiu, matando funcionários. vide: http://oglobo.globo.com/esportes/video-mostra-momento-do-acidente-no-itaquerao-10911765
TRANSPORTES:
- A atual presidente Dilma Rousseff garantiu que faria um trem-bala, nos moldes do TGV Francês, que ligaria 4 cidades-sede: SP-RJ-BH-Brasilia. A promessa está gravada em redes sociais. (http://www.estadao.com.br/noticias/esportes,governo-garante-trem-bala-pronto-ate-a-copa-de-2014,381839,0.htm )
- Em 2009 foram aprovados 13 bilhões de Euros no PAC, uma soma gigantesca de dinheiro, suficiente para construir um TGV de Paris a Cabul no Afeganistão. Nunca se viu um orçamento tão alto.
- Mas o dinheiro desapareceu e nem um único centímetro do TGV brasileiro foi construído.
- Nenhum brasileiro cobra da Dilma a responsabilidade sobre a promessa do trem bala.
- Nenhuma das cidades-sede tem metrô até o Aeroporto.
- O taxis são caríssimos e os taxistas fazem trajetos mais longos com os estrangeiros que não conhecem a cidade.
- Aprenda Português pois os Taxistas não falam nem espanhol, francês não existe. Inglês nem pensar???
- Para os taxistas não há cursos de inglês financiados pelo governo, mas para as prostitutas sim. Parece piada, mas é verdade: ( vide:http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2013/01/1211528-prostitutas-de-bh-tem-aulas-gratis-de-ingles-para-se-preparar-para-a-copa.shtml )
- É assim que o Brasil está se preparando para receber os turistas, ensinando inglês para as prostitutas. Pergunte se há um programa assim para policiais???
- Metrôs não funcionam bem, não cobre nem 10% das cidades ou simplesmente não existem.
- Os ônibus são precários, com muitos atrasos.
- O sistema de ônibus é complicadíssimo e ineficiente.
- Diariamente os ônibus são atacados por gangues que lhes ateiam fogo sob ordem de criminosos ou simplesmente para protestar.
- Às vezes não dá tempo do passageiro sair correndo e morre carbonizado.
- Ninguém é preso, mas as autoridades dizem: “estamos investigando…”
- O aeroporto da Megalópolis São Paulo tem uma capacidade de receber vôos inferior ao Aeroporto da pequena cidade de Orly, no interior da França.
- Os preços de passagens de aviões dispararam. Por um trajeto de 400km chegam a cobrar 1.000Euros durante a copa.
- Como o Brasil não tem infraestrutura, não aproveitará a alta demanda, devendo permitir que empresas aéreas estrangeiras atuem durante a Copa, o lucro virá para a Europa ou os EUA.
- Aluguel de carros é caríssimo, e, como disse um ex-presidente brasileiro, Fernando Collor, também afastado por corrupção, os carros brasileiros são carroças, sem os principais itens de segurança.
- Muito cuidado ao dirigir, o trânsito é uma selvageria. Sinalização, quando existe, é exclusivamente em português.
- Ônibus lotados a toda velocidade, dividem faixas com carroças, mendigos que puxam carros de ferro-velho, motoqueiros cruzando faixas sem sinalizar, pessoas xingando, engarrafamentos de horas. Em São Paulo chega a passar de 300km de engarrafamento, dentro da cidade, o maior da humanidade.
- Faixa de pedestre não serve para nada, não espere que os carros parem. Atropelam, matam e fogem.
- Não tente andar de bicicleta, será atropelado ou roubado.
- As estradas estão caindo aos pedaços, sem sinalização e o número de mortes em acidentes de trânsito em 2008 foi de 57.166, na França, 399, ou seja, quase 15.000% a mais de mortes, e levando em conta que no Brasil não há acidentes por neve ou gelo na pista.
- Apesar do Brasil ser autossuficiente em petróleo e estar do lado de países da OPEP, como Venezuela e Equador, a gasolina uma das mais caras do mundo, e de péssima qualidade, misturada com etanol e solvente de borracha, não há fiscalização nos postos.
- Mas o Brasileiro defende o monopólio do petróleo. É o único país do mundo onde os consumidores acham que o monopólio é bom para o consumidor, e não para o monopolista.
- Não existe transporte fluvial, apesar de ser o país com mais rios no mundo. O Brasil deveria investir em barcos, todo ano as cidades alagam. Vide http://www.youtube.com/watch?v=aNHnPUcZOFA
- As autoridades dizem que foram pegas de surpresa!
- Não há transporte por trens.
OUTRO EQUÍVOCO. POR PIOR QUE SEJA SEU SERVIÇO, ELE AINDA É ATIVO E ATUANTE!!!
SAÚDE:
- Reze para não ter problemas de saúde enquanto estiver alí.
- Vacina contra febre amarela é recomendada.
- Use repelentes, no Brasil ainda há pessoas morrendo com dengue, malária ou doença de chagas, já erradicadas na França no século XVIII.
- Faça um seguro de saúde privado antes de ir ao Brasil.
- Médicos privados cobram mais de 100Eurs por consultas de 20minutos.
- Os hospitais públicos são péssimos. videhttp://www.youtube.com/watch?v=cE9znkKV--k comparáveis a zonas de guerra.
- Nos últimos 10 anos o número de leitos em hospitais públicos caiu 15%. vide http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/em-11-anos-taxa-de-leitos-hospitalares-caiu-15-no-brasil-o-bravateiro-no-entanto-dava-licoes-a-obama-vinda-de-cubanos-serve-para-demonizar-medicos-brasileiros-e-e-projeto-ideologico-dos-paises-do/
- O Brasil precisa importar médicos de Cuba, já que não tem competência para formar médicos no próprio país. Acredite: Há um programa governamental para isso.
UMA DAS MAIORES ASNEIRAS QUE JÁ LI ATÉ HOJE. O BRASIL NÃO PRECISA IMPORTAR MÉDICOS DE CUBA, O FAZ POR PURA POLITICAGEM (INTERESSES ESCUSOS) E FALTA DE BOM SENSO. HÁ MUITOS MÉDICOS COMPETENTES POR AQUI, À ESPERA DE UMA OPORTUNIDADE DE TRABALHO. PARA ISSO É NECESSÁRIO ACABAR COM A BUROCRACIA EXCESSIVA E O FAMOSO "QI" (QUEM INDICA)
- O Brasil gasta apenas 4% do seu PIB com saúde, e 12% com pagamentos de funcionários públicos. Nos últimos anos o gasto com funcionários cresceu, e com saúde encolheu.
- A França gasta 12% com saúde e 4% com funcionalismo.
- Resultado: Brasil é 72. entre 100 países pesquisados pela OMS, a França 7.
- O craque Zinédine Zidane já era mal visto no Brasil, por ser responsável direto por 2 derrotas humilhantes da “canarinha” em mundiais. Ao saber que o Brasil sediaria a Copa, Zidane afirmou que o Brasil tinha outras prioridades, como a saúde, não os Estádios.
- Ronaldinho Fenômeno rebateu a frase dizendo que “não se faz copa com hospitais”. vide http://www.youtube.com/watch?v=uRRoXJQf8f0
- A frase de Ronaldinho Fenômeno virou hit no Twitter e recorde de visualizações no youtube.
- O Pelé pediu para os Brasileiros esquecerem os problemas e curtirem a Copa.
HOSPEDAGEM:
- Paris é a cidade mais visitada do mundo, com quase 20 milhões de turistas / ano. São Paulo é menos visitada que a pequena Benidorm na Espanha, ou que a cinza Varsóvia, na Polônia ou a poluída Chenzen na China.
- São Paulo perde para Buenos Aires, Cuzco e outras cidades Sulamericanas.
- Nem no Brasil é a mais visitada. Ninguém faz turismo em São Paulo.
- Amarga o posto 68 na lista das mais visitadas do mundo.
- No entanto, um hotel em São Paulo custa em média 40% mais do que se hospedar em um equivalente hotel em Paris.
- Na época da Copa, um hotel de baixa qualidade em São Paulo chega a pedir 800Eurs por noite.
- Os brasileiros não tem hábito de intercambiar casas, alugar sofás ou hospedar pessoas por sites em internet.
- Leve adaptador de tomada. O Brasil adotou um sistema que só existe no Brasil, e muda a cada 4 ou 5 anos, gerando milhões para algumas empresas.
TELECOMUNICAÇÕES:
- Minuto de celular mais caro do mundo. videhttp://www1.folha.uol.com.br/mercado/2013/10/1352956-minuto-do-celular-no-brasil-e-o-mais-caro-do-mundo.shtml
- O sinal é péssimo, um dos piores do mundo.
- 4G não existe na maioria das cidades.
- A internet é horrível e caríssima. Para o Brasil chegar aos níveis do Iraque deveria dobrar o investimento em banda larga. videhttp://veja.abril.com.br/noticia/vida-digital/conexao-de-internet-no-brasil-e-mais-lenta-que-no-iraque-e-cazaquistao
SEGURANÇA:
- Se você não gostou do que leu até agora, o pior está aqui.
- No Brasil há mais assassinatos que na Palestina, no Afeganistão, Síria e no Iraque JUNTOS.
- No Brasil há mais assassinatos que em toda a AMÉRICA DO NORTE + EUROPA + JAPÃO + OCEANIA.
- A guerra do Vietnã matou 50.000 pessoas em 7 anos. No Brasil se mata a mesma quantidade em um ano.
- Ano passado foram 50.177 segundo o governo, segundo a ONGs superam 63.000 mortes.
- Todo brasileiro conhece alguém que foi assassinado.
- 1% dos casos resultam em prisão.
- Este 1% não chega a cumprir 1/6 da pena, e é beneficiado por vantagens que se dão aos criminosos.
- As prisões parecem masmorras e não recuperam.
- Rebeliões com dezenas de mortos, pessoas decapitadas, esquartejadas são frequentes.
- Recomenda-se levar uma pequenas quantidade de dinheiro para caso de assaltos. É comum assassinarem as pessoas que nada tem para o assalto.
- Não leve o cartão consigo, você pode ser vítima de uma espécie de sequestro que só tem no Brasil: “Sequestro Relâmpago”.
- Não use relógios, máquinas fotográficas, celulares, pulseiras, brincos, colares, anéis, bolsas caras, bonés caros, óculos caros, tênis caro, etc… vista-se da forma mais simples possível.
- Se for assaltado, não reaja.
- Não ande pelas ruas após as 22hs.
- Caixas eletrônicos não funcionam após as 22h30, devido aos assaltos. Os políticos, no lugar de aumentar a segurança, tiveram a brilhante idéia de proibir o cidadão de bem de tirar dinheiro do caixa.
- Os bancos fecham as 16hs.
- Só faça câmbio em bancos ou casas autorizadas. Existe uma grande quantidade de moeda falsa e estrangeiros são alvo fácil.
- Policiais são monoglotas. Aprenda frases como: “Eu fui assaltado”; “preciso de ajuda”, “estou ferido”, “sou francês, leve-me ao consulado por favor”
- Há falsas blitz para assaltar pessoas.
CONCLUSÃO:
- O que falta no Brasil é educação. Os números são assustadores, mesmo quando comparados com seus vizinhos sulamericanos.
- O Brasil tem uma porcentagem de universitários menor que o Paraguai;
- Apenas 3% dos Brasileiros são bilingues.
- A Argentina tem 5 prêmios Nobel, a Colombia 3, o Chile 3, a Venezuela 1, a Colombia 4, o Brasil??? Zero!
- Entre as 300 melhores Universidades do mundo, não tem nenhuma Universidade Brasileira.
- O país tem 9% de analfabetos;
- No Brasil há 33.000.000 de analfabetos funcionais.
- Ano passado surgiram 300.000 novos analfabetos.
- No ranking da ONU de 2012 o Brasil, que já estava mal colocado, caiu mais 3 posições, e hoje é o número 88 no mundo. (A França é 5.)
- O Brasil fica atrás de Belize, Ilhas Fiji, Tchad, Azerbaijão, Ilhas Maurícios, Uzbequistão, Mongólia, Paraguai, Trinidad e Tobago, Belarus, Tijiquistão, Botswana, São Tomé e Príncipe, Namíbia, Santa Lúcia, Moldavia…. até atrás da Palestina em guerra, o Brasil conseguiu ficar.
- UMA VERGONHA INTERNACIONAL mas o brasileiro está muito feliz de ser pentacampeão de futebol.
Nos corredores da FIFA já se admite que foi o maior erro da história da Instituição eleger o Brasil como sede. O que se fala é que os dirigentes deveriam ter ouvido o grande Estadista Francês Charles de Gaulle, quando disse:
“O Brasil não é um país sério”
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
POR QUE É QUE A GENTE É ASSIM?
AVISO IMPORTANTE AO LEITOR: este artigo não representa nenhuma VERDADE ABSOLUTA, como alguns leitores fazem parecer. Trata-se apenas de uma leitura que eu fiz da realidade, em fevereiro de 2002. Já se passaram mais de 10 anos e algumas dessas coisas até já mudaram (tenho notícias de que, em algumas escolas, este artigo foi o motor de algumas mudanças. Isto me deixa muito orgulhoso, sem dúvida).
É na Escola de Engenharia que começa a ser destruída a nossa auto-estima. É na Escola de Engenharia que começa a ser forjado o nosso comportamento autodestrutivo, nosso desprezo pelos valores da própria profissão, nosso desgosto com a nossa própria atividade profissional. É na Escola de Engenharia que nasce a nossa falta de coragem empresarial e essa submissão inaceitável aos caprichos dos clientes.
Engenheiros, Médicos, Arquitetos, Advogados, Agrônomos, Dentistas...
Uma coisa leva à outra: toda vez que, numa conversa qualquer, o assunto “comportamento no mercado” vem à tona acabamos caindo nas inevitáveis comparações de engenheiros, arquitetos e agrônomos com médicos, dentistas e advogados...
Quando me perguntam o que eu acho disso (dessa comparação de profissionais tão diferentes) respondo sempre a mesma coisa: acho que essa comparação é JUSTÍSSIMA.
Se eu, engenheiro, por qualquer motivo, tiver de ser comparado com outros profissionais, acho muito justo que seja com médicos, com dentistas ou com advogados. Afinal temos muito mais coisas em comum do que diferenças. Somos todos prestadores de serviços. Nosso produto (nosso serviço) é altamente especializado e todas essas atividades demandam profissionais com capacidade intelectual diferenciada. Ninguém chega a ser médico, advogado, dentista, agrônomo, arquiteto ou engenheiro apenas por ter um belo par de olhos, uma voz doce, algum dinheiro no banco ou um padrinho influente... A conquista de qualquer um desses títulos demanda qualidades e habilidades especiais, muito estudo e empenho (às vezes até muitos sacrifícios).
Temos, é verdade, muitas semelhanças, quando a comparação é feita no nível da qualificação. Porém, no exercício das profissões e no comportamento empresarial de cada grupo as diferenças aparecem e são enormes. Neste texto concentramos nossas reflexões sobre a formação dos profissionais de Engenharia. No entanto, nossa experiência e a convivência com milhares de arquitetos e agrônomos dos mais distantes lugares do Brasil nos permitem acreditar que os conceitos podem se estender sem problemas também para esses profissionais. Voltemos no tempo.
Voltemos ao tempo em que essa pessoa (que hoje é um engenheiro) tinha seus quinze, dezesseis anos, um ou dois anos antes do vestibular. Esse moço ou essa moça é, muito provavelmente, um dos melhores alunos da sua sala (talvez da escola). É um expoente estudantil, requisitado pelos colegas, elogiado pelos professores, respeitado pelos pais (de quem é motivo de muito orgulho) valorizado pelos parentes, pelos vizinhos, admirado pelas garotas (ou garotos).
Comparemos nosso amiguinho com o estudante de quinze ou dezesseis anos que virá a ser médico, dentista ou advogado.
Veremos quase nenhuma diferença.
É isso mesmo. Na origem, são todos iguais. Têm o mesmo perfil, a mesma história, o mesmo rendimento. Todos são brilhantes e bem sucedidos.
Vem o vestibular. Ingressa, cada qual, na faculdade que escolheu... E é aí que as diferenças começam a aparecer. Os estudantes de medicina e de odontologia são enquadrados em um ambiente novo, com pessoas que se vestem de uma maneira diferente, se comportam de uma maneira diferente e que estabelecem uma identidade visual (e, por decorrência, uma identidade psicológica) com a atividade profissional que irão exercer alguns anos depois.
Os estudantes de direito, já nos primeiros meses de escola convivem com professores que vêm para as aulas de terno, gravata, sapato social, barba feita ou bem cuidada. E o mais interessante: aqueles senhores e senhoras respeitáveis, bem vestidos e de fina educação (os professores), tratam os seus alunos por “senhor” ou “senhora”, com toda a fineza e educação que a prática profissional recomenda. E estimulam seus alunos a acreditar e se convencerem de que são superiores. Que estão se preparando para “falar com o Estado” (privilégio que não é concedido a nenhum outro profissional...). Enfim, aprendem que precisam respeitar os outros, mas aprendem, antes de tudo, que precisam exigir respeito para si.
Nos últimos anos de faculdade, estudantes de odontologia e medicina já se vestem como se médicos ou dentistas fossem. Frequentam clínicas e atuam como profissionais na área da saúde. Assumem, enfim, um ou dois anos antes de terminada a faculdade, todo um comportamento típico de médico. De dentista.
Os estudantes de Direito, por sua vez, a partir da Segunda metade do curso, já se vestem como advogados (roupa social, sapato, eventualmente gravata e um terno ou blazer...). Mantém com os seus professores e com os seus colegas um comportamento e um vocabulário apropriados para as lides jurídicas. E, o mais importante: são tratados, pelos seus professores, como Doutor. (Dr. Fulano, termine seu relatório até a próxima aula. Dr. Sicrano, esteja preparado para a prova final, na sexta-feira.). Apesar de ainda não terem concluído o curso.
Os estudantes de engenharia, ao contrário, a partir do início do curso, a única diferença que eles conseguem perceber na faculdade, em relação ao ensino médio é o grau de dificuldade (que simplesmente quintuplica!).
Não existe nenhum estímulo a um comportamento novo, nenhuma referência, um exemplo positivo de comportamento. Nenhuma motivação para um desenvolvimento psicológico alternativo. Nenhum elemento que interfira na formação do profissional do ponto de vista da sua imagem física composta de aspectos visuais e comportamentais. A vida social, no ambiente da faculdade, é muito restrita, quando não inexistente.
Além do mais, a faculdade entra na vida desses jovens como um elemento de ruptura. Os alunos são colocados em uma condição a que eles não estavam acostumados. Estavam acostumados a tirar notas máximas com a maior facilidade e, de repente, passam a sofrer e ter grandes dificuldades para obter notas mínimas ou médias. Deixam de ser respeitados pelos seus professores que se tornam distantes e autoritários e perdem a admiração dos colegas que estão todos desesperados tentando se salvar de uma coisa que ainda não estão entendendo direito.
Não que as faculdades de medicina, direito ou odontologia sejam fáceis. Ocorre que lá os estudantes têm compensações psicológicas que os estudantes de engenharia não têm. Essas faculdades, por diversos mecanismos, inexistentes nas escolas de engenharia, dão continuidade ao amadurecimento psicológico e social do futuro profissional. E, com isto, mantêm em alta a motivação e auto-estima dos seus estudantes.
Na engenharia não existe nenhum processo de acompanhamento psicológico para aquele estudante desesperado que teve a sua carreira de sucesso estudantil subitamente interrompida (mesmo os alunos que continuam conquistando notas altas, acabam sentindo a falta do aplauso dos colegas, do respeito dos professores e da admiração coletiva). E não existe ninguém para explicar o que está acontecendo. Ninguém para dizer a este estudante que ele não é tão inepto ou incapaz como, algumas vezes os professores parecem querer provar.
É quase geral, por parte dos professores, nas escolas de engenharia, a manifestação desnecessária de superioridade intelectual, o exercício gratuito de poder e o terrorismo psicológico.
E o estudante, que entrou na faculdade no auge positivo da auto-estima, vai recebendo, ao longo de cinco anos, das mais variadas formas, uma única mensagem: “Você não é tão bom quanto você pensava que fosse !”.
Ao contrário dos estudantes de direito, medicina ou odontologia, que têm como professores, profissionais que atuam no dia-a-dia de suas atividades, os estudantes de engenharia passam cinco anos submetidos aos rigores (e, em alguns casos, caprichos) de engenheiros que não atuam, profissionalmente, como engenheiros e sim como professores, e que, portanto, não têm a vivência da atividade profissional e não têm a ciência ou a consciência das relações comerciais que vão definir o sucesso ou o fracasso dos profissionais que eles estão formando.
Como resultado disso, ao final de cinco anos, o estudante de engenharia se transforma em um engenheiro. E este engenheiro é completamente desprovido de auto-estima, de respeito próprio, de prazer profissional ou de consciência de mercado. Na metade do último semestre da faculdade, dois meses antes de receber o diploma e ser entregue aos leões do mercado, o estudante de engenharia ainda é tratado como mero es-tu-dan-te.
Em momento algum, durante a faculdade, o estudante de engenharia é tratado como engenheiro, em momento algum, durante esses cinco anos, a escola propicia a percepção da mudança de condição de estudante para a condição de profissional.
Estudantes de direito, medicina e odontologia, ao contrário, muito antes do fim da faculdade já têm uma noção razoavelmente clara das dificuldades do exercício profissional que eles irão enfrentar. Com isso vão desenvolvendo mecanismos psicológicos de defesa e saem da faculdade com maior grau de segurança. Entram no mercado profissional de cabeça erguida, com uma consciência de valor. E com todo o processo de construção da imagem profissional em andamento. Estudantes de engenharia não são estimulados a se vestir bem, nem a ter preocupações com técnicas de comunicação ou relacionamento social ou de exercício intelectual não linear. Com isso acabam não desenvolvendo habilidades gerenciais ou de relacionamento com o mercado. Esta é uma das razões pelas quais as organizações de engenharia são, quase sempre, extremamente burocráticas e conservadoras.
Engenheiros (ao contrário de advogados, médicos e dentistas) não comandam seu ambiente de trabalho. Por mais que detenham o conhecimento e a técnica, os engenheiros são, via de regra, pouco influentes em relação ao produto final, seja uma construção, uma instalação, um empreendimento complexo ou um processo produtivo.
O mais lamentável é que os engenheiros, via de regra, só vão perceber os resultados da negligência com a imagem física, a comunicação não-verbal e o comportamento no mercado, depois de já terem acumulado muitas perdas desnecessárias (algumas das quais, infelizmente, irreversíveis).
E qual é a utilidade desse discurso? Qual a importância de se colocar este tema no papel? Porque tornar pública esta opinião, que, com certeza aborrecerá alguns segmentos? Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que a simples leitura deste ensaio leve um diretor de escola de engenharia, um professor, um estudante ou um profissional de engenharia a alterar o seu comportamento. O que se espera é que essas pessoas, a quem o texto é dedicado, tenham um momento de reflexão. E que a esse momento de reflexão se siga uma atitude. E que essa atitude tenha como objetivo dar um futuro melhor para a engenharia no Brasil.
A engenharia depende dos engenheiros. E os engenheiros começam a ser formados aos quinze ou dezesseis anos, ainda no ensino médio. Eu ainda acho, como sempre achei, que o conhecimento científico que é transmitido aos estudantes durante a faculdade de engenharia é fundamental. E que o valor da engenharia está sustentado na capacidade intelectual e técnica dos seus profissionais.
No entanto, vejo como importantíssima uma nova visão, nesse processo de formação do engenheiro, que leve em consideração todo o relacionamento social dos estudantes entre si e com os seus professores. É importante que, aos estudantes, seja transmitida uma visão mais clara das relações comerciais que eles enfrentarão na vida profissional, seja na condição de profissionais autônomos, empresários ou empregados em alguma empresa.
Em qualquer um desses casos as relações sociais são elementos definitivos para o sucesso. É um “detalhe” que faz toda a diferença. O estudante chega ao curso de Engenharia cheio de sonhos com a auto-estima elevada, transpirando confiança e auto-respeito. É muito triste que, dez ou quinze anos depois esse potencial tenha se transformado em um sujeito cabisbaixo, sem consciência de valor, destituído de auto-estima e respeito próprio. Abrindo mão da sua natural vocação de agente do desenvolvimento para ser mero instrumento de trabalho para terceiros. Na Escola de Engenharia o engenheiro precisa ser “construído” para ser um vencedor. Precisa ser estimulado a acreditar no seu potencial. Confiar na sua inteligência. E, acima de tudo, precisa aprender a importância de manter a cabeça erguida.
Engenheiros, Médicos, Arquitetos, Advogados, Agrônomos, Dentistas...
Uma coisa leva à outra: toda vez que, numa conversa qualquer, o assunto “comportamento no mercado” vem à tona acabamos caindo nas inevitáveis comparações de engenheiros, arquitetos e agrônomos com médicos, dentistas e advogados...
Quando me perguntam o que eu acho disso (dessa comparação de profissionais tão diferentes) respondo sempre a mesma coisa: acho que essa comparação é JUSTÍSSIMA.
Se eu, engenheiro, por qualquer motivo, tiver de ser comparado com outros profissionais, acho muito justo que seja com médicos, com dentistas ou com advogados. Afinal temos muito mais coisas em comum do que diferenças. Somos todos prestadores de serviços. Nosso produto (nosso serviço) é altamente especializado e todas essas atividades demandam profissionais com capacidade intelectual diferenciada. Ninguém chega a ser médico, advogado, dentista, agrônomo, arquiteto ou engenheiro apenas por ter um belo par de olhos, uma voz doce, algum dinheiro no banco ou um padrinho influente... A conquista de qualquer um desses títulos demanda qualidades e habilidades especiais, muito estudo e empenho (às vezes até muitos sacrifícios).
Temos, é verdade, muitas semelhanças, quando a comparação é feita no nível da qualificação. Porém, no exercício das profissões e no comportamento empresarial de cada grupo as diferenças aparecem e são enormes. Neste texto concentramos nossas reflexões sobre a formação dos profissionais de Engenharia. No entanto, nossa experiência e a convivência com milhares de arquitetos e agrônomos dos mais distantes lugares do Brasil nos permitem acreditar que os conceitos podem se estender sem problemas também para esses profissionais. Voltemos no tempo.
Voltemos ao tempo em que essa pessoa (que hoje é um engenheiro) tinha seus quinze, dezesseis anos, um ou dois anos antes do vestibular. Esse moço ou essa moça é, muito provavelmente, um dos melhores alunos da sua sala (talvez da escola). É um expoente estudantil, requisitado pelos colegas, elogiado pelos professores, respeitado pelos pais (de quem é motivo de muito orgulho) valorizado pelos parentes, pelos vizinhos, admirado pelas garotas (ou garotos).
Comparemos nosso amiguinho com o estudante de quinze ou dezesseis anos que virá a ser médico, dentista ou advogado.
Veremos quase nenhuma diferença.
É isso mesmo. Na origem, são todos iguais. Têm o mesmo perfil, a mesma história, o mesmo rendimento. Todos são brilhantes e bem sucedidos.
Vem o vestibular. Ingressa, cada qual, na faculdade que escolheu... E é aí que as diferenças começam a aparecer. Os estudantes de medicina e de odontologia são enquadrados em um ambiente novo, com pessoas que se vestem de uma maneira diferente, se comportam de uma maneira diferente e que estabelecem uma identidade visual (e, por decorrência, uma identidade psicológica) com a atividade profissional que irão exercer alguns anos depois.
Os estudantes de direito, já nos primeiros meses de escola convivem com professores que vêm para as aulas de terno, gravata, sapato social, barba feita ou bem cuidada. E o mais interessante: aqueles senhores e senhoras respeitáveis, bem vestidos e de fina educação (os professores), tratam os seus alunos por “senhor” ou “senhora”, com toda a fineza e educação que a prática profissional recomenda. E estimulam seus alunos a acreditar e se convencerem de que são superiores. Que estão se preparando para “falar com o Estado” (privilégio que não é concedido a nenhum outro profissional...). Enfim, aprendem que precisam respeitar os outros, mas aprendem, antes de tudo, que precisam exigir respeito para si.
Nos últimos anos de faculdade, estudantes de odontologia e medicina já se vestem como se médicos ou dentistas fossem. Frequentam clínicas e atuam como profissionais na área da saúde. Assumem, enfim, um ou dois anos antes de terminada a faculdade, todo um comportamento típico de médico. De dentista.
Os estudantes de Direito, por sua vez, a partir da Segunda metade do curso, já se vestem como advogados (roupa social, sapato, eventualmente gravata e um terno ou blazer...). Mantém com os seus professores e com os seus colegas um comportamento e um vocabulário apropriados para as lides jurídicas. E, o mais importante: são tratados, pelos seus professores, como Doutor. (Dr. Fulano, termine seu relatório até a próxima aula. Dr. Sicrano, esteja preparado para a prova final, na sexta-feira.). Apesar de ainda não terem concluído o curso.
Os estudantes de engenharia, ao contrário, a partir do início do curso, a única diferença que eles conseguem perceber na faculdade, em relação ao ensino médio é o grau de dificuldade (que simplesmente quintuplica!).
Não existe nenhum estímulo a um comportamento novo, nenhuma referência, um exemplo positivo de comportamento. Nenhuma motivação para um desenvolvimento psicológico alternativo. Nenhum elemento que interfira na formação do profissional do ponto de vista da sua imagem física composta de aspectos visuais e comportamentais. A vida social, no ambiente da faculdade, é muito restrita, quando não inexistente.
Além do mais, a faculdade entra na vida desses jovens como um elemento de ruptura. Os alunos são colocados em uma condição a que eles não estavam acostumados. Estavam acostumados a tirar notas máximas com a maior facilidade e, de repente, passam a sofrer e ter grandes dificuldades para obter notas mínimas ou médias. Deixam de ser respeitados pelos seus professores que se tornam distantes e autoritários e perdem a admiração dos colegas que estão todos desesperados tentando se salvar de uma coisa que ainda não estão entendendo direito.
Não que as faculdades de medicina, direito ou odontologia sejam fáceis. Ocorre que lá os estudantes têm compensações psicológicas que os estudantes de engenharia não têm. Essas faculdades, por diversos mecanismos, inexistentes nas escolas de engenharia, dão continuidade ao amadurecimento psicológico e social do futuro profissional. E, com isto, mantêm em alta a motivação e auto-estima dos seus estudantes.
Na engenharia não existe nenhum processo de acompanhamento psicológico para aquele estudante desesperado que teve a sua carreira de sucesso estudantil subitamente interrompida (mesmo os alunos que continuam conquistando notas altas, acabam sentindo a falta do aplauso dos colegas, do respeito dos professores e da admiração coletiva). E não existe ninguém para explicar o que está acontecendo. Ninguém para dizer a este estudante que ele não é tão inepto ou incapaz como, algumas vezes os professores parecem querer provar.
É quase geral, por parte dos professores, nas escolas de engenharia, a manifestação desnecessária de superioridade intelectual, o exercício gratuito de poder e o terrorismo psicológico.
E o estudante, que entrou na faculdade no auge positivo da auto-estima, vai recebendo, ao longo de cinco anos, das mais variadas formas, uma única mensagem: “Você não é tão bom quanto você pensava que fosse !”.
Ao contrário dos estudantes de direito, medicina ou odontologia, que têm como professores, profissionais que atuam no dia-a-dia de suas atividades, os estudantes de engenharia passam cinco anos submetidos aos rigores (e, em alguns casos, caprichos) de engenheiros que não atuam, profissionalmente, como engenheiros e sim como professores, e que, portanto, não têm a vivência da atividade profissional e não têm a ciência ou a consciência das relações comerciais que vão definir o sucesso ou o fracasso dos profissionais que eles estão formando.
Como resultado disso, ao final de cinco anos, o estudante de engenharia se transforma em um engenheiro. E este engenheiro é completamente desprovido de auto-estima, de respeito próprio, de prazer profissional ou de consciência de mercado. Na metade do último semestre da faculdade, dois meses antes de receber o diploma e ser entregue aos leões do mercado, o estudante de engenharia ainda é tratado como mero es-tu-dan-te.
Em momento algum, durante a faculdade, o estudante de engenharia é tratado como engenheiro, em momento algum, durante esses cinco anos, a escola propicia a percepção da mudança de condição de estudante para a condição de profissional.
Estudantes de direito, medicina e odontologia, ao contrário, muito antes do fim da faculdade já têm uma noção razoavelmente clara das dificuldades do exercício profissional que eles irão enfrentar. Com isso vão desenvolvendo mecanismos psicológicos de defesa e saem da faculdade com maior grau de segurança. Entram no mercado profissional de cabeça erguida, com uma consciência de valor. E com todo o processo de construção da imagem profissional em andamento. Estudantes de engenharia não são estimulados a se vestir bem, nem a ter preocupações com técnicas de comunicação ou relacionamento social ou de exercício intelectual não linear. Com isso acabam não desenvolvendo habilidades gerenciais ou de relacionamento com o mercado. Esta é uma das razões pelas quais as organizações de engenharia são, quase sempre, extremamente burocráticas e conservadoras.
Engenheiros (ao contrário de advogados, médicos e dentistas) não comandam seu ambiente de trabalho. Por mais que detenham o conhecimento e a técnica, os engenheiros são, via de regra, pouco influentes em relação ao produto final, seja uma construção, uma instalação, um empreendimento complexo ou um processo produtivo.
O mais lamentável é que os engenheiros, via de regra, só vão perceber os resultados da negligência com a imagem física, a comunicação não-verbal e o comportamento no mercado, depois de já terem acumulado muitas perdas desnecessárias (algumas das quais, infelizmente, irreversíveis).
E qual é a utilidade desse discurso? Qual a importância de se colocar este tema no papel? Porque tornar pública esta opinião, que, com certeza aborrecerá alguns segmentos? Ninguém é ingênuo a ponto de acreditar que a simples leitura deste ensaio leve um diretor de escola de engenharia, um professor, um estudante ou um profissional de engenharia a alterar o seu comportamento. O que se espera é que essas pessoas, a quem o texto é dedicado, tenham um momento de reflexão. E que a esse momento de reflexão se siga uma atitude. E que essa atitude tenha como objetivo dar um futuro melhor para a engenharia no Brasil.
A engenharia depende dos engenheiros. E os engenheiros começam a ser formados aos quinze ou dezesseis anos, ainda no ensino médio. Eu ainda acho, como sempre achei, que o conhecimento científico que é transmitido aos estudantes durante a faculdade de engenharia é fundamental. E que o valor da engenharia está sustentado na capacidade intelectual e técnica dos seus profissionais.
No entanto, vejo como importantíssima uma nova visão, nesse processo de formação do engenheiro, que leve em consideração todo o relacionamento social dos estudantes entre si e com os seus professores. É importante que, aos estudantes, seja transmitida uma visão mais clara das relações comerciais que eles enfrentarão na vida profissional, seja na condição de profissionais autônomos, empresários ou empregados em alguma empresa.
Em qualquer um desses casos as relações sociais são elementos definitivos para o sucesso. É um “detalhe” que faz toda a diferença. O estudante chega ao curso de Engenharia cheio de sonhos com a auto-estima elevada, transpirando confiança e auto-respeito. É muito triste que, dez ou quinze anos depois esse potencial tenha se transformado em um sujeito cabisbaixo, sem consciência de valor, destituído de auto-estima e respeito próprio. Abrindo mão da sua natural vocação de agente do desenvolvimento para ser mero instrumento de trabalho para terceiros. Na Escola de Engenharia o engenheiro precisa ser “construído” para ser um vencedor. Precisa ser estimulado a acreditar no seu potencial. Confiar na sua inteligência. E, acima de tudo, precisa aprender a importância de manter a cabeça erguida.
Este artigo foi publicado em fevereiro de 2002. É um dos artigos mais lidos e replicados, tanto na internet como em jornais e revistas (papel). É também, de longe, o artigo mais comentado, tendo recebido muitos elogios e também muitas críticas.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
Ato Médico: A Verdade dos Fatos
O Projeto de Lei do Senado (PLS) 7703/06, mais conhecido
como Lei do Ato Médico, foi aprovado, com vetos, no dia 18/06/2013 pela
presidente Dilma Rousseff. O Ato prevê uma lista de atividades que somente
o médico pode realizar. Só haverá algum tipo de prejuízo no caso de outro
profissional da saúde infringir e realizar alguma atividade que só o médico
pode realizar, o profissional de saúde corre o risco de perder o diploma, caso
ele realize alguma atividade de competência só do médico e houver óbito.
O Ato
Médico nada mais é do que a regulamentação da Medicina, o que é muito justo, além de necessário, já que todos os outros cursos da área de saúde são regulamentados por lei, com
exceção da Medicina. Por que, então, ser contra, regulamentar por lei, uma das
profissões mais antigas do mundo? Hoje,
se faz imprescindível regulamentá-la, pois se assim não for, qualquer
profissional "não capacitado" como médico, irá diagnosticar doenças,
tratar, acompanhar a evolução...
Infelizmente, tenho
visto que alguns não sabem o que é o Ato Medico. A grande maioria dos
profissionais (e até mesmo das pessoas) que se diz contra o Ato Médico, não
sabe nem do que se trata, não teve o trabalho de pesquisar, se informar e nem o
terá, ou então "fingem" que sabem, mas insistem em ser contra apenas
por motivos pessoais, corporativistas ou por má fé mesmo, propagam um monte de falácias, agridem verbalmente, provocam, e, mesmo após possíveis esclarecimentos, ainda
assim, tem a desfaçatez (descaramento) de chamar os colegas de arrogantes.
Eu gostaria muito de entender (e ver na lei) o porquê de
dizerem que a regulamentação da medicina é "prepotência" e que, com
isso, os médicos seriam "chefes". Cada um na sua área e com
responsabilidade e conhecimento suficiente para responder sobre suas atitudes
profissionais. Esta história
de "vitimização" das outras classes é um ”pé no saco”, já está mais do que na
hora de acabar... Nunca vi
nenhum médico brigando pra fazer curativo, aplicar uma injeção, fazer escala da
enfermagem, banhar paciente, fazer sessão de fisioterapia, etc e tal... Mas gente que não é médico querendo entubar, fazer outros procedimentos invasivos,
diagnosticar e prescrever é o que não falta...
Pelo que entendi do Ato Médico, somente um médico pode dar um
diagnóstico e prescrever uma medicação deste tipo. Basicamente, somente o
médico poderia dar um diagnóstico de uma doença. Isso evitaria que
farmacêuticos vendessem o que lhes aprouvesse, para poder lucrar mais. Que
fisioterapeutas assinassem laudos de exames médicos. Que psicólogos receitassem
remédios. Mas não evitaria que esses profissionais continuassem a exercer suas
funções, porque essas funções já são regulamentadas por leis específicas para
cada profissão.
A função das demais profissões da área da saúde não se
confunde com o diagnostico/medicação. Por mais que me esforce, não consigo crer
que cabe a uma enfermeira (e isso quando não são técnicas de enfermagem), a um
fisioterapeuta, psicólogo ou assistente social intervir no tratamento de forma
independente, sob a alegação que sua formação os capacita a isso. Trata-se tão
somente de esforço para reservar o espaço profissional na equipe
interdisciplinar sem a supervisão médica. Conhecendo a realidade dos nossos
hospitais, emergências e ambulatórios públicos, acredito que o atrito das
lideranças só irá piorar o já duvidoso atendimento.
Os demais
profissionais da área da saúde devem conhecer seus limites, a Enfermagem, por
exemplo, assim como qualquer outra profissão possui limites e eles precisam ser
aceitos. O ato deve ser SIM debatido com todas as profissões, mas se opor a ele caracteriza uma insensatez. Aceitar suas limitações profissionais e realizar
suas funções com excelência deveria ser a preocupação de muitos e não ser
contra um projeto que é completamente coerente com a realidade brasileira. É
óbvio que muitas pessoas estão em suas áreas porque gostam e se sentem felizes,
fazendo seu trabalho bem feito e respeitando as outras profissões. Acho
completamente correto haver críticas aos profissionais errados, de qualquer
profissão, mas o problema é com o profissional e não com a profissão.
Assim como
um médico não é capacitado para construir edifícios, por exemplo, nenhum outro
profissional "não médico", é capaz de diagnosticar doenças e tratar
pacientes, pois não foram capacitados, instruídos para esse fim. Isso é
elementar e muito lógico!
Uma análise
autocrítica rápida: a medicina, por acaso, intervém nas atividades
"restritas" a outras profissões? NÃO... Portanto, a questão em si não
trata de querer ser melhor que ninguém, apenas fazer valer o direito
"restrito" à categoria, pois são eles os capacitados para diagnosticar
doenças e tratar pacientes.
É necessário
analisar melhor o Ato Médico, ao invés de se posicionar contra por achar que são
inferiores, superiores, ou “sei lá o que”...
Vamos ter coerência, bom senso, respeito. Isso é o mínimo. Cada
um dentro da sua competência.
Nenhuma parte do Ato médico agride os afazeres das outras
profissões. Não existem subalternos, apenas cada pessoa tem que fazer seu
trabalho dentro de sua área. Quem sabe o básico de interpretação de texto vê
que no PL a restrição é quanto à conduta a ser tomada, então, que deve ser
exclusiva do médico. Logo, não diz nada a respeito de médico querer fazer o
tratamento fisioterápico, por exemplo.
Por fim, este
assunto já se tornou chato demais... Enfermeiros serão Enfermeiros, Psicólogos serão Psicólogos, Outros profissionais
da saúde serão o que a formação de cada curso os capacitarem...
Deixem os médicos serem médicos... Simples assim ;)
Deixem os médicos serem médicos... Simples assim ;)
quinta-feira, 20 de junho de 2013
Voto, não anule o seu
Democracia
e eleição é coisa séria. O voto depositado na urna é que vai definir
quem serão os nossos dirigentes para os próximos anos. Da maioria dos VOTOS VÁLIDOS é que sairão os eleitos pelo povo. É festa da democracia, onde o voto da
maioria define o rumo de todos. Neste caso, o voto nulo ou em branco não
representa uma escolha, uma opção, e sim OMISSÃO. No caso de vitória a defesa de
seus candidatos e seus programas de governo é normal. No caso de derrota,
a oposição também é normal. Ambas fazem parte da democracia. Mas o
voto branco ou nulo é somente isso, uma nulidade que não traz benefícios.
A omissão neste caso tem repercussão pelos próximos quatro anos subsequentes.
O artigo de Emanuella Xavier que segue logo abaixo traz o questionamento:
que tipo de país você deseja ter nos próximos anos?
Surpreendo-me
nas conversas informais com a quantidade de pessoas que afirmam
que anularão ou votarão em branco nas próximas eleições. Nunca consigo
permanecer calada, digo sempre: NÃO FAÇA ISSO, imagine quantas pessoas
já lutaram e morreram para que nós hoje pudéssemos exercer o nosso direito como
cidadãos de votar. E se for mulher, nem se fala. A mulher brasileira
conquistou o direito a votar em 1932. Anular ou votar em branco é um
desrespeito a todas essas pessoas que um dia se levantaram contra privilégios
que existiam na sociedade.
Completo
a argumentação dizendo ao interlocutor que alguém vencerá, então,
não podemos nos omitir. Temos que dedicar algum tempo analisando as
propostas, a vida do candidato, se ele vive trocando de partido para permanecer
sempre ao lado do poder, quem são as pessoas que estão lhe apoiando,
quais foram os projetos que ele já apresentou.
Reflito
também sobre o tempo no qual ele já está na vida pública, pois entendo que a alternância no poder é salutar para a construção da democracia,
ou seja, é preciso dar oportunidade para outras pessoas, outras ideias, um novo
começo. Há tantas
questões a serem analisadas, se quisermos dedicar algum tempo para
elas.
Façamos uma campanha CONTRA o voto nulo e em branco. Precisamos
trazer a política para dentro da nossa vida, e não apenas em época de
eleição. Tenhamos a consciência de que votamos não apenas no candidato
A, B ou C, mas sim no representante que levará as bandeiras nas quais
acreditamos seja para a Câmara Estadual, Federal, ou para ser o dirigente
do nosso Estado e do nosso País.
Essas
escolhas irão alterar a nossa esfera privada, tenhamos consciência disso! O que significa conceder seu voto para
determinado partido, ou candidato? Sabemos
exatamente o que ele deseja para as áreas de
educação, desenvolvimento econômico, reforma tributária, proteção à criança e
ao adolescente, etc?
A
política tem que se aproximar dos cidadãos. Essa falácia de que 'não gosto
de
política", ou "não discuto política", só interessa àqueles que cotidianamente desejam
que essa forma de praticar a política permaneça.
O
interesse pela política deve fazer parte do dia-a-dia da coletividade. Eu quero
saber como o meu candidato se comporta diante das questões que me interessam.
Não podemos permanecer pacíficos diante de um cenário público contaminado
por políticos que desviam dinheiro público e se beneficiam dos cargos
ocupados. A lei da ficha-limpa deve ser posta em prática, posto ser ferramenta
importantíssima para uma nova era na política. Para isso o
Judiciário,
o poder que ele representa, é indispensável para a sua sustentação,
não devendo assistir a políticos reincidentes em escândalos usarem
manobras para fugirem da sua aplicação.
O projeto
da ficha-limpa, nascido através da iniciativa popular, já é parte dessa
transformação. Porém, precisamos avançar mais, queremos uma democracia
não só representativa, mas também participativa.
Mais uma
eleição se aproxima. PENSE em que tipo de representante VOCÊ deseja
para os próximos 04 anos. NÃO ANULE o seu voto, afinal alguém terá que vencer!
Emanuella Xavier – sócia
do escritório Aluísio Xavier Advogados e Consultores.
quinta-feira, 13 de junho de 2013
Violência, Drogas e Livre Mercado
Introdução
“O erro não é
acreditar que as drogas estão devastando nossa sociedade e a vida de muitos
jovens. Nisto todos concordamos. O erro está na maneira de reverter esta
tendência. O erro não está nos fins, e sim nos meios.” (Milton Friedman)
Gostaria de
discutir a questão da proibição ao uso e comércio de drogas e sua ligação com a
violência urbana; por que todas as formas de combate não tiveram sucesso e por que,
filosoficamente, a proibição é algo errado. Existem três linhas básicas de
argumentos contrários à proibição ao uso e comércio de drogas:
• Eficiência: A relação custo versus benefício é muito alta. Ou seja, o custo para implantar
e manter a proibição é muito mais alto que o benefício pretendido. Esta análise
é típica de economistas e engenheiros e é frequentemente menosprezada por pessoas
mais preocupadas com utopias do que com aspectos práticos.
• Ética: O governo não tem o direito de impor restrições à
maneira como adultos utilizam seu próprio corpo, salvaguardado o direito de
terceiros. Por exemplo: embora o fumo prejudique a saúde, ele é permitido com
restrições, tais como proibição ao fumo em ambiente fechado.
• Médico: A Maconha (por exemplo) faz tanto (ou menos) mal do
que o álcool.
Pretendo na primeira
parte, Proibição Aumenta Violência,
desmascarar o argumento falacioso frequentemente repetido pela imprensa, de tal
forma que se tornou um lugar comum, que coloca as drogas como causa do aumento da violência. Discuto
a seguir, em Aspectos Econômicos, a
ineficiência da proibição: por que ela não funciona e como ela transforma as
drogas num problema. Explico as consequências do lucro gerado devido à
proibição e por que, existindo demanda, o Governo não consegue suprimir a
venda.
Na parte Aspectos Filosóficos discuto a questão
ética: por que estas leis estão erradas. Coloco o assunto em perspectiva,
discutindo leis com caráter semelhante. Na parte de Aspectos Psicológicos discuto por que as drogas atraem as pessoas.
A relação entre prazer e repressão. Finalmente discuto Aspectos Políticos, Medicinais,
uma seção de Perguntas e Respostas
e concluo com a Visão da Utopia (como seria após o fim da proibição).
Devo dizer que
este artigo foi inspirado pelo livro “On Liberty and Drugs” de Milton Friedman &
Thomas Szasz. Retirei vários argumentos deste livro. Como este não é um
trabalho acadêmico não me preocupei em fazer referências explícitas ao
longo do texto. Mesmo nos argumentos econômicos, que seguem bem de perto este
livro, acrescentei fatos pertinentes ao caso brasileiro (já que o livro se
dirige ao público norte-americano).
Proibição Aumenta Violência
“Drogas são uma
tragédia para o viciado. Mas criminalizar seu uso torna esta tragédia num
desastre para a sociedade.” (Milton Friedman)
O crescimento
da violência urbana em grandes centros urbanos é extremamente preocupante. Poucos
discordam que fatores importantes para o
crescimento da violência são a concentração de renda e a miséria. No entanto, confrontados
com exemplos como:
1. Índia: A miséria é grande, grande concentração de renda, mas a violência é
baixa.
2. EUA: Apesar da riqueza e da distribuição de renda muito mais equitativa, o nível
de violência é alto.
3. Europa Ocidental: Fatores econômicos semelhantes aos EUA mas com níveis de violência bem
mais baixos.
4. Brasil: Riqueza média, grande concentração de renda, violência alta;
observa-se,
facilmente, que o problema é mais complexo e escapa de esquemas reducionistas.
É lugar comum considerar as drogas como um dos fatores
que causam a violência, senão o mais importante. Numa análise superficial, isto
parece inegável. De fato regularmente encontramos violência,
corrupção, assassinatos e roubos ao redor das drogas. O que não se observa é
que as drogas se tornam um problema, justamente, porque são proibidas. A
proibição força as drogas para o mundo da ilegalidade onde tudo se
mistura: venda de drogas, jogo do bicho, sequestro, prostituição, cassinos,
assaltos a bancos, etc.
O fato das
atividades violentas (assaltos, sequestros) e não violentas (cassinos,
prostituição, jogo-do-bicho, comércio de drogas) serem desenvolvidos
pelo mesmo grupo de pessoas é consequência pura e simples da proibição. Para
ilustrar este ponto considere os cassinos nos EUA, a prostituição em Amsterdam,
a loteria esportiva no Brasil, a venda de Valium e Prozac nas
farmácias. Não existe nada de violento nestas atividades. No entanto,
atividades afins no Brasil como venda de drogas e jogo-do-bicho, cuja diferença
fundamental é o fato de estarem proibidas, estão ligadas a diversos crimes.
O mesmo
fenômeno ocorreu na época da lei seca nos EUA. Al Capone não se limitava a
vender bebidas alcoólicas; ele estava ligado a assassinatos cruéis, assaltos a
bancos, falsificação de dinheiro, etc. Para a imprensa da época, Al Capone era
uma prova viva do por que o álcool deveria continuar sendo proibido: “vejam
como ele é cruel”, etc. Para muitos a crueldade dos traficantes justifica ainda
mais a proibição às drogas. Ou seja, os espantalhos de “João Gordo” 's,
“Escadinha” 's, “Cy-do-Acary” 's ou
“Zé-do-Borel” 's justificam e reforçam a proibição.
Outro argumento
utilizado para justificar a proibição diz respeito ao fato de pessoas roubarem
para sustentar o vício em drogas ilícitas. Contra este argumento, primeiro diria
que os assaltantes roubam para comprar coisas. Nesta lógica tudo que se compra
com dinheiro de assalto, incluindo carros luxuosos, roupas, bebidas e joias
deveriam ter sua venda proibida. Por outro lado, sem a proibição, o preço das
drogas cairia muito e diminuiria a necessidade de se roubar para comprar
drogas.
Bastaria fazer
como muitos alcoólatras: mendigar dinheiro para sustentar o vício. Você já viu
alguém roubando para beber cerveja ou cachaça? Um segundo argumento,
desenvolvido no próximo tópico, mostra que na realidade a proibição agrava o problema
da violência de várias maneiras. Em resumo: o que causa um aumento da violência
não são as drogas em si, e sim a sua proibição.
Livre Mercado e as Drogas: Aspectos Econômicos
“O problema é a
demanda por drogas, mas não somente a demanda, e sim a demanda operada por
canais reprimidos e ilegais. A ilegalidade cria lucros obscenos que financiam
táticas assassinas dos chefões da droga; ilegalidade gera corrupção policial;
ilegalidade monopoliza a força policial, desviando recursos para combater
crimes como assaltos, sequestros, etc.” (Milton Friedman)
Devido à
proibição, o preço das drogas é muito mais alto do que seria num regime de
livre mercado. O preço inclui os riscos de se exercer uma atividade ilegal e o
custo da corrupção. Também não é possível uma economia de escala: a
fabricação e comércio tem que ser feita em pequenas unidades para não ser
detectada facilmente. É, mais ainda, um preço de regime de monopólio pela
força, decorrendo deste fato uma taxa de lucro excessiva e guerra entre
quadrilhas pelo controle dos pontos de venda de drogas. Caso o mercado de
drogas fosse liberado os custos de produção diminuiriam e com a livre
concorrência o preço da mesma cairia de forma vertiginosa.
Como
consequências dos altos lucros da atividade temos:
• A perspectiva de ganhar muito dinheiro em pouco tempo torna jovens carentes,
apesar do grande risco à própria vida, em traficantes de drogas. Acostumados ao
lucro fácil do tráfico, desde cedo estes jovens (alguns começam como crianças)
perdem a ética do trabalho e o interesse pela escola.
São condenados ao círculo da marginalidade pelo resto de suas (curtas) vidas.
Terminarão em breve mortos ou presos. Este efeito não intencionado por quem
proibiu as drogas, a exclusão social e criação de marginais, é um dos aspectos
mais perversos da proibição.
• A corrupção da polícia e outras autoridades competentes, que numa primeira fase diz
respeito somente às drogas (ou à “vista grossa” ao jogo-do-bicho), se expande e
engloba todas atividades criminais. Mesmo na nação mais rica do planeta, os
EUA, o dinheiro das drogas comprou, recentemente, um alto assessor da casa
branca ligado ao departamento de justiça! Não preciso dizer o efeito em nações
pobres. Este é o primeiro passo para a polícia entrar no mundo do crime. Depois
vira segurança de traficantes (ou bicheiros), se envolve em sequestros, etc. O
Rio de Janeiro ilustra este ponto de forma bem clara. Outro exemplo foram os
fatos apurados durante a “operação mãos limpas”, na Itália. A polícia se
corrompe não porque seus membros não tenham caráter, mas devido a esta força
quase irresistível no sistema.
• O poder financeiro gera, em médio prazo, poder político. Este fenômeno
pode ser observado na Colômbia e na Sicília e começa a ameaçar o Rio de
Janeiro.
• Quadrilhas muito bem armadas: AR15's, Fuzis, AK14's, granadas.
• Traficantes com acesso a excelentes advogados. Aqueles nos postos mais
altos da hierarquia do tráfico dificilmente vão para cadeia por causa disto.
• Cooptação de pessoas ousadas, inteligentes, empreendedoras (por exemplo,
na favela, aqueles mais ambiciosos) e membros da elite intelectual (advogados,
juízes, políticos, médicos, químicos, etc.) para o crime. Como consequência,
crimes que exigem logística e planejamento mais sofisticados (assaltos à bancos
e sequestros) se tornam mais comuns.
Não existem
mecanismos legais para regular a atividade: Não é possível assinar contratos de
compra e venda, abrir lojas, comprar a crédito. As disputas por mercado
(“ponto”), cobrança de dívidas (“banho”), problemas com a qualidade da mercadoria
(“malhada”) são resolvidas à bala! Esta é a principal causa de assassinatos em
qualquer grande cidade do Brasil e do mundo. O poder dos traficantes somente
poderá ser combatido atacando-se as causas econômicas. Toda a repressão do
mundo é pura perda de tempo, dinheiro e recursos.
“Supor que o
comportamento de organismos sociais pode ser moldado a bel-prazer é um erro
amplamente aceito. Esta é uma falha fundamental dos reformadores sociais. Para
eles o problema está no homem e não no sistema: concluem que
para resolvê-lo basta retirar a escória e colocar pessoas bem intencionadas no
lugar” (Milton Friedman)
Com a proibição,
as forças do livre mercado ficam impedidas de agir, a “mão invisível” fica
amarrada. Conforme podia ser visto na antiga URSS, todo o poder de coerção do
Governo não conseguiu sufocar o mercado. Através do mercado negro,
mesmo sob o risco de punições severas, o consumidor obtinha o que queria.
Outro exemplo é
a liberação do uso do dólar após anos de repressão e punições severas em Cuba. Para
colocar este assunto em perspectiva gostaria de comentar outros fenômenos
decorrentes do excesso de regulamentações por parte do Governo:
• Corrupção. Nem mesmo com medidas draconianas tomadas na China
(fuzilamento) consegue-se acabar (ou diminuir significativamente) o problema.
Isto ocorre porque a causa, o controle estatal de toda atividade econômica,
cria as oportunidades de corrupção (“criam-se dificuldades para vender
facilidades”).
• Comércio Ambulante (ou camelôs). A complexidade
do sistema tributário e a rigidez das leis trabalhistas tornam a montagem e
manutenção de um negócio extremamente cara e complicada, o chamado “custo
Brasil”. Isto é um incentivo a proliferação de comércio ambulante.
• Contrabando. Decorre, em grande parte, devido aos altos impostos
de importação e a complicada burocracia para liberação de carga.
• “Jeitinho” (a famosa Lei de Gérson). Muitos pensam
que este fenômeno é tipicamente brasileiro. Na realidade ele existe em diversas
nações do terceiro mundo
de todos os continentes. Sua causa é a mesma do caso brasileiro: excesso de
regulamentações, normas, órgãos de controle governamentais etc.
Por fim,
argumentos semelhantes podem ser utilizados com relação a prostituição,
jogo-do-bicho e cassinos. De fato, antes do jogo ser legalizado nos EUA, os
mesmos fenômenos podiam ser observados em Las Vegas: formação de uma máfia que
controlava o jogo, comprava políticos, assassinatos de
acerto de contas, etc. No estado de Luisiânia a máfia do jogo da época elegeu
até o governador de estado.
Governo Protegendo seus Cidadãos: Aspectos Filosóficos
Um dos
principais argumentos pró-proibição é de que as drogas fazem mal à saúde e,
portanto, devem ser proibidas. Por trás deste argumento está a premissa
implícita: o Governo tem autoridade para impor hábitos saudáveis.
Outros exemplos
de leis que almejam este objetivo não declarado da proibição, proteger a pessoa
de si mesmo, são:
• Uso obrigatório de cinto de segurança em automóveis e capacete em
motocicletas.
• Exigência de receita médica para compra de medicamentos. A exigência de
receita médica foi feita, teoricamente, para proteger a saúde da população. Na
realidade, serve muito mais para assegurar o monopólio dos médicos, os maiores
interessados na defesa desta lei. Na prática ela “não pegou” no Brasil. O fim
do monopólio dos médicos poderia revolucionar a medicina, especialmente para a
população mais pobre, que hoje tem (em tese, na prática o farmacêutico cumpre,
ilegalmente, parte desta tarefa) que escolher entre um profissional de medicina
com 8 (ou mais) anos de formação ou nada. Remeto o leitor
interessado em detalhes ao livro do Prof. Milton Friedman “Free to Choose”.
Temos algumas atividades
potencialmente danosas à saúde, mas que não são proibidas por lei: Pular de paraquedas,
correr em formula-1, esquiar, andar de motocicleta, etc. Temos atividades que
sem dúvida são danosas, mas são perfeitamente
legais: luta de boxe, uso de esteroides anabolizantes, excesso de gordura,
fumar cigarros, alcoolismo, etc.
Dentro da
lógica de que as drogas devem ser proibidas, porque causam danos à saúde, se compararmos
as estatísticas de doenças causadas pela obesidade, álcool e tabaco com as causadas
por drogas veremos que estamos atacando um fator de importância marginal. Não se
inclui aqui as mortes resultantes da guerra entre quadrilhas, que são
contabilizadas na proibição às drogas e não nos
danos causados à saúde pelas drogas. A mistura destes dois fatores num só, a
“morte causada pelas drogas”, é utilizada pelos defensores da proibição para confundir
e causar alarme.
Por coerência,
aceitando-se o princípio que cabe ao Governo zelar pela saúde de seus cidadãos,
porque não se criar leis proibindo o excesso de sal e açúcar no sangue,
obrigando exercícios físicos diários (para combater o sedentarismo), proibindo
o álcool, proibindo o tabaco? Note-se que no caso do álcool e tabaco já existem
leis, mas elas são para proteger terceiros (dirigir embriagado e restrições ao
fumo em locais públicos) e, portanto, não se encontram neste contexto.
Para os que
argumentam que a diferença é de grau no dano à saúde - “a cocaína causa danos à saúde muito
maiores que o álcool: logo o tratamento deve ser diferente” - levemos ao grau
máximo de dano à saúde, à morte: Você acha que a
tentativa de suicídio deve ser punida? Estas são as questões básicas que
convido o leitor a refletir: O governo pode e/ou deve agir como um “pai” da
sociedade e decidir o que é bom para cada indivíduo, determinar como cada
cidadão vai viver sua vida ? De onde emana este poder? Como conciliar isto com
a liberdade do indivíduo? Existe uma minoria “iluminada” que vai guiar o
destino de todos? Como eles são escolhidos? A quem eles respondem?
Para deixar
clara minha posição, o uso de drogas deve ser proibido quando envolver riscos
imediatos para terceiros, no mesmo espírito das leis que regulam o uso de
álcool: proibido dirigir alcoolizado, etc. Neste caso o governo está intervindo
para proteger terceiros. O que me oponho é a proteção da pessoa de si mesma. Em resumo: cada cidadão deve ter a
liberdade de fazer o que deseja a si mesmo, contanto que os direitos de
terceiros não sejam prejudicados.
Por que Atividades Arriscadas? Aspectos Psicológicos
O que leva uma
pessoa a utilizar drogas que sem dúvida são danosas à saúde (heroína, cocaína)?
Creio que a mesma pergunta pode ser feita para um alpinista, pulador de
paraquedas, etc. Podemos verificar uma relação masoquista de busca do prazer
(fortes emoções) através do medo (perigo), principalmente entre os jovens. O
oposto disto seria uma segurança entediante. Outro aspecto é
a relação prazer versus repressão. Se voltarmos ao passado distante, temos a
proibição do álcool pelo Alcorão, a maçã do Fruto Proibido (sexo) e o pecado da
gula na Bíblia. A repressão ao sexo na sociedade Vitoriana. Na década de 1930,
nos EUA, o álcool. Cabe a pergunta: por que as sociedades procuram reprimir o
prazer?
As técnicas de
combate são semelhantes. A associação que se fazia de sexo como coisa suja,
feia; a masturbação como causa de demência mental, espinhas, deformações, impotência.
Todos estes argumentos são requentados para se combater
o uso de drogas. São o que os americanos chamam de “scare tatics”, que tentam
fazer prevalecer o lado emocional contra o lado racional.
Diz-se que o
uso de drogas leva à demência mental, torna a pessoa imprestável (um
zumbi), causa marcas na pele, no rosto. Mostram pessoas em hospícios, fruto do
uso de drogas a vida inteira. Mostram os que se prostituem para sustentar o
vício. O efeito da repressão é exatamente o oposto, porque o Fruto Proibido é
ainda mais atrativo, especialmente para os jovens, com mais energia para a
transgressão. Por outro lado, os argumentos são tão exagerados que se
desmoralizam. Qualquer pessoa que tenha um mínimo de contato com o assunto sabe
que, embora prejudicial à saúde, seus efeitos não são dramáticos e é
perfeitamente possível ser usuário de drogas e membro produtivo da sociedade ao
mesmo tempo.
Qual o meio
efetivo de controle de drogas? Creio que a resposta é, além da vontade de
preservar a saúde, a pressão social. Por que as pessoas não passam o dia
inteiro dormindo, na praia ou numa atividade de lazer? Por que tem que
trabalhar (ou estudar). Por que as pessoas não passam o dia embriagado? Pelo
mesmo motivo. Quais são as forças que não permitem os excessos de
preguiça, comida, álcool, gastos, etc. A própria consciência, a religião, a
família, o patrão, os amigos, o banco, agora inclusive a companhia de seguro
etc. Enfim, a pressão social (e financeira). Devido ao fato de alguns abusarem
de algumas substâncias (por exemplo: alcoólatras, obesos, fumantes, viciados em
drogas) devemos proibir o uso para todos?
Outros Efeitos Nocivos
• Traficantes estimulam o consumo dando primeira dose grátis. Isto vale a
pena, porque sendo o dono do “ponto” ( o mercado não é livre ) tem a garantia
de que o “freguês” comprará outras doses “na mão” dele.
• Viciados são obrigados a se associar com criminosos para obter a droga,
aumentando a chance deles entrarem no mundo do crime para financiar o vício.
• Assassinatos pela disputa dos pontos de venda.
• Falta de tratamento adequado aos viciados: É difícil o acesso a um
programa de reabilitação e conseguir apoio de familiares e amigos devido à
ilegalidade.
• Overdoses. A ilegalidade impossibilita qualquer controle da qualidade da
droga. Mistura-se de tudo na cocaína e na maconha. A cada compra a concentração
é diferente.
• Tratamento inadequado das vítimas de overdose. O medo de ser descoberto e
denunciado à polícia faz com que se evite ir para um hospital em caso de
emergência.
• Viciados são levados ao uso de drogas mais potentes. Como a maconha é
pesada e ocupa muito espaço é mais fácil apreendê-la. Seu preço aumenta e tornam
mais competitivas drogas mais potentes e menos volumosas, como a heroína e a
cocaína. Pelo mesmo motivo, estimula-se a criação de drogas mais potentes como
o crack e drogas sintéticas, com grande preço por volume, de tráfico mais lucrativo.
Os altos lucros estimulam a criatividade dos químicos!
Aspectos Políticos
“Reformadores
acreditam que se eles escreverem uma lei, ela vai ser aplicada da maneira que
foi escrita. Isto é uma ilusão. O que acontece com uma lei tem pouca relação,
em geral, com as intenções de quem escreveu. Quem escreve a lei que
proíbe as drogas não pretendia matar milhares de pessoas todos os anos vítimas
das guerras entre quadrilhas.” (Milton Friedman)
A América
Latina está sendo levada a repetir a paranoia americana com relação às drogas.
Mesmo com o fim da lei seca ainda persistem restrições absurdas à bebida
alcoólica, como venda proibida aos domingos e idade mínima de 21
anos em quase todos estados. A pena imposta a quem está traficando drogas é
exagerada, mais grave, algumas vezes, do que assassinato.
Os americanos
gastam uma fortuna com o sistema penitenciário. Atualmente é o país com a maior
percentagem de população encarcerada do mundo (quase 1 %), grande parte devido
ao uso e tráfico de drogas. A única receita dos defensores da proibição para
combater o aumento dos crimes, percebendo a ligação estreita de traficantes de
drogas com os mesmos (exemplo recente são os sequestros no Rio de Janeiro), é o
aumento da repressão. Isto foi tentado na década de 80 nos EUA.
O resultado foi
um aumento da violência e da população carcerária. No caso brasileiro nem
precisa ser implementada, porque já acontece extraoficialmente. Um traficante
no Rio de Janeiro, por exemplo, dificilmente passa dos 25 anos de vida devido à
guerra entre as quadrilhas. Alguém consegue imaginar maior repressão do que esta?
Mas isto, no entanto, não é suficiente. Deixo a seguinte pergunta para os defensores
da proibição: Porque ainda assim as pessoas tomam este caminho?
O pêndulo da
proibição está voltando. Depois do liberalismo dos 70's e da repressão dos 80's
uma nova maré liberalizante se esboça. Podemos encontrar opiniões de peso por
trás desta proposta. Uma é o supracitado, prêmio Nobel em Economia, Prof. Milton
Friedman. O Ex-Ministro da Justiça Nelson Jobim (agora ministro do STF) andou
se pronunciando a favor da descriminalização. O jornal Folha de São Paulo em
editorial de 1994 mostrou que apoia estas ideias. A corte suprema da Colômbia,
recentemente, liberou o uso de drogas. Temos as
experiências de sucesso em diversos países europeus: Alemanha, Suíça, Espanha,
França, Inglaterra, Holanda, etc. São experiências que mostram que esta ideia é
uma alternativa concreta.
Outro exemplo
histórico são os EUA do início do século, quando a Sears Roebuck vendia heroína
através de seu famoso catálogo. Caberia determinar estratégias do que seria
possível num primeiro momento. Como princípio geral o tratamento deve ser semelhante
ao álcool e tabaco: proibição de venda para menores, restrições à propaganda,
direção de veículos sob influência, etc. O tráfico internacional, é claro,
teria que continuar proibido, a não ser através de acordos regionais (MERCOSUL,
por exemplo).
Um possível
cronograma:
1. Discutir o assunto e
procurar esclarecer a opinião pública.
2. Descriminalizar o uso
de drogas.
3. Autorizar o cultivo
da maconha para uso próprio. Isto teria um impacto mortal
no tráfico.
4. Autorizar a venda da
maconha, com restrições semelhantes ao álcool e tabaco.
Quanto a outras
drogas, não sei qual seria o melhor modelo: liberação total, venda sob controle
médico. Uma dificuldade comum é a confusão entre não ser proibido e ser
estimulado. A legalização não significa estimular ou mesmo aprovar o uso de
drogas. Temos diversas atividades nocivas à saúde que não são proibidas, mas
são desestimuladas: álcool, fumo, glutonice (gulodice, gula), inatividade, etc.
Drogas Realmente Fazem Mal a Saúde? Aspectos Medicinais
Não havia
levantado, propositalmente, argumentos tradicionais que questionam o “mal” que
as drogas fazem ao organismo. Com relação à maconha, em especial, este
argumento é bastante forte. Hoje em dia existem usos terapêuticos comprovados
da mesma no tratamento de aidéticos e para controlar efeitos colaterais da
quimioterapia.
Inclusive em
1996 foi aprovada em plebiscito em dois estados dos EUA (Califórnia e Arizona)
uma lei legalizando o uso medicinal da Maconha. Creio, no entanto, que este não
é um bom caminho, porque esta não é a questão fundamental. Uma abordagem deste
tipo, creio ser muito conservadora. Além do mais, persistiria o problema do
tráfico das outras drogas que sem dúvida fazem mal a saúde (cocaína, heroína,
etc.).
Perguntas e Respostas (Questionamentos diretos e indiretos)
1. P: Os drogados podem
provocar problemas no trânsito, no trabalho. “Podemos virar uma sociedade de
zumbis!”
R: Basta dar o mesmo
tratamento dado ao álcool. É proibido dirigir ou trabalhar embriagado.
Poderíamos, do mesmo modo, virar uma sociedade de alcoólatras. Porque isto não
ocorre? Deixo o leitor responder. Pelo mesmo motivo não viraríamos uma
sociedade de zumbis. O uso do álcool, em si, não é penalizado e sim os seus
possíveis efeitos danosos a terceiros.
2. P: Com a liberação das
drogas aumentará o número de drogados devido ao preço mais baixo e o fim da
repressão. Não ficaremos numa situação pior do que estamos?
R: De fato um aumento no
número de usuários é um efeito possível. A questão é: ninguém em
sã consciência causa dano a si próprio. É perfeitamente possível um usuário de
drogas ser um membro produtivo da sociedade. Estes limites cada pessoa
estabelecerá para si mesmo. É o mesmo problema do álcool: uso social não tem
problema, mas aparecer alcoolizado no trabalho todo dia . . .
3. P: Os viciados assaltam
e roubam para sustentar seu vício. A legalização aumentará o número de usuários
e consequentemente de roubos e assaltos.
R: É comum em
reportagens se dizer que os crimes são causados pelas drogas ilegais. Na
realidade os crimes são causados por pessoas. Negar isto é retirar a
responsabilidade das pessoas pelos seus atos. Por outro lado já expliquei que o
efeito da legalização seria exatamente o oposto.
4. P: Quer dizer que
teríamos propaganda de maconha e cocaína na TV, rádio etc.? E as crianças?
R: O tratamento a ser
dado deve ser semelhante ao dado ao tabaco e ao álcool: venda proibida para
menores de idade e restrições (proibição) à propaganda. Estas medidas podem ser
implementadas, enquanto que a proibição total não pode.
5. P: E a substituição da
lavoura de alimentos por plantação de drogas (por ser uma atividade mais
lucrativa)?
R: Com o fim da
proibição e consequente queda de preço teríamos um incentivo econômico para a
diminuição do cultivo. Mesmo que continue lucrativo, isto também não é problema:
o dinheiro extra gerado por esta colheita será utilizado para comprar alimentos,
que podem ser importados. Caso os alimentos se tornem muito caros, isto se
constitui num incentivo a produção do mesmo. Ou seja, os mecanismos de livre
mercado de alocação ótima dos recursos podem resolver esta questão sem
necessidade de intervenção governamental.
6. P: As pessoas morrem
devido ao uso de drogas. Isto não é suficiente para proibir seu uso?
R: Já respondi este
ponto fazendo analogia com álcool, tabaco, obesidade, suicídio.
7. P: Quem utiliza drogas
causa danos somente ao próprio corpo. No entanto se necessitar de ajuda médica
para tratar de problemas decorrentes deste uso recorrerá a um hospital público
(possivelmente) e todos nós, contribuintes, acabaremos pagando por este abuso.
Logo, o interesse de terceiros (toda a sociedade) está sendo prejudicado e,
portanto, de acordo com sua lógica, devemos manter a proibição.
R: Esta pergunta é a
mais difícil de ser respondida e possivelmente o melhor argumento
pró-proibição. Temos três aspectos a serem enfocados:
(a) Como o
problema levantado é de natureza econômica devemos fazer uma análise de custo
versus benefício das duas hipóteses. Elas não são a escolha entre um mundo com
drogas e outro sem drogas. A escolha é entre proibir, e gerar todos os custos e
problemas aqui descritos: mercado negro, manutenção das prisões, corrupção da
polícia, sequestros, etc. Ou liberar, não ter nenhum destes problemas, mas
arcar com os custos hospitalares dos usuários de drogas. O que o leitor acha
que deve ser mais barato para sociedade?
(b) Este
problema só ocorre porque o sistema de saúde é público. Se cada pessoa pagasse
pela sua própria despesa médica o que ela faz com seu corpo não diria respeito
ao governo. Aqui fica claro uma razão profunda da impossibilidade de liberdade
sob o socialismo. Neste sistema tudo que diz respeito ao indivíduo é assunto de
Estado: sua educação, sua saúde, seus hábitos, o número de filhos. Tudo em sua
vida ele deve ao Estado.
(c) Porque
reclamar somente do custo dos drogados? Nesta lógica o governo deveria antes de
tratar, por exemplo, de um paciente HIV-positivo, investigar sua vida para
descobrir se ele contraiu o vírus por irresponsabilidade (tinha diversos
parceiros, sexo sem preservativos) ou foi por infortúnio (transfusão). Vamos
reclamar também dos alcoólatras, obesos, pessoas que brigam em bares, fumantes,
etc. Levando esta lógica ao extremo, para cada paciente que chegue ao hospital
devemos investigar o porquê de sua enfermidade: se resultante de negligência, o
atendimento deve ser negado ou cobrado do mesmo. Este raciocínio mostra o
absurdo desta lógica.
8. P: Está comprovado que a
maconha é a porta de entrada para drogas mais pesadas. Se a liberarmos
aumentará o consumo de cocaína, heroína, etc.
R: Vamos aceitar a
premissa duvidosa “maconha é porta de entrada”. A cachaça consumida
por um pai-de-família é (frequentemente) a “porta-de-entrada” para agressões
a esposa. Devemos proibir a cachaça? Ou proibir agressões a esposa?
9. P: Quer dizer que como
não se pode ganhar a guerra contra as drogas deve-se legalizá-la? Então como
não conseguimos acabar com os sequestros devemos legalizá-los?
R: É claro que não!
Existe uma diferença fundamental. O uso de drogas não é (ou não deveria ser) crime. As pessoas tem o direito de se
intoxicar, alterar seu estado mental. O crime são os danos a terceiros causados
pela alteração de estado mental. Concordamos que os efeitos sociais terríveis relacionados às drogas (assaltos, assassinatos, etc.) tem que ser
combatidos. A solução proposta de proibir o consumo é simplista e vai ao alvo
errado. É como a história do marido traído que retira o sofá. Se toda lei
passada fosse cumprida como
foi escrita, o mundo não teria problemas. A proibição funcionaria neste mundo
ideal: sem consumo não haveria venda ou uso. Infelizmente a realidade é bem
diferente . . .
Visão da Utopia
O que ocorreria
depois do fim da proibição às drogas:
• Fim das “bocas de fumo”. Souza Cruz vendendo maços de Canabis Sativa com
qualidades distintas (mais forte, mais fraco, etc.), indústria farmacêutica
vendendo medicamentos à base de Canabis Sativa para tratamentos diversos.
Cocaína à venda em farmácias ou em hospitais, sob controle médico.
• Melhora no balanço fiscal do Governo com:
(a) Aumento de
receita devido aos impostos cobrados em cima da venda e produção de drogas.
(b) Redução de
despesas com o fim dos gastos na “guerra às drogas”: custos judiciais, polícia,
custo de tratamento nos hospitais públicos das vítimas de tiroteios entre
traficantes e policiais, pagamento de informantes (X9's, “cachorrinhos-
de-polícia”), manutenção das prisões etc.
• Liberação da polícia para combater atividades criminosas: roubos,
assaltos, assassinatos, sequestros, etc. Moralização da mesma, longe do poder
de corrupção provocado pela alta lucratividade do tráfico.
• Fim do poder dos traficantes dentro das favelas. Sem o dinheiro abundante
do tráfico fica difícil comprar a simpatia da população e/ou subjugá-la com
armamentos poderosos. Melhores condições para o poder público atuar nos morros
e favelas.
• Fim da “carreira” de traficante: “olheiro”, “soldado”, “avião”, etc.
Jovens oriundos de comunidades carentes não seriam tentados (ou muitas vezes,
quase “obrigados”) a entrar no mundo da ilegalidade.
• Melhoria do judiciário com a diminuição do número de processos e o fim do
poder de corrupção do tráfico.
• Diminuição no número de mortes por overdose de drogas, devido ao controle
da qualidade da mesma e o fim do medo de ir para um hospital sofrendo de
sintomas de overdose.
• Fim das mortes por disputas de pontos e guerra entre quadrilhas, principal
causa do número de assassinatos por dia nos grandes centros urbanos de todo o
mundo.
• Redução na frequência de crimes sofisticados (assaltos a bancos e sequestros).
Rio de Janeiro, Agosto de 1994
OBS: o texto original, escrito pelo
professor Marco Aurélio Cabral (IM-UFRJ), pode ser conferido e baixado no site http://www.labma.ufrj.br/~mcabral/livros/
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